19 de março de 2011

o dia do pai

o dia em que falei com o meu pai pela última vez, estando ele lúcido e consciente.
o dia em que lhe disse que o amava e que ele sempre foi e iria continuar a ser o meu modelo, exemplo, role model, o que lhe queiram chamar.
o dia em que o meu pai se chateou comigo porque eu estava grávida e me disse: "o que é que estás aqui a fazer? não devias estar aqui... isto é não é um ambiente saudável para ti...", ao que eu respondi: "não te preocupes que ninguém tossiu para cima de mim!"
o dia em que chorei porque estava confusa e não compreendia porque é que estavam todos a ser pessimistas, quando na realidade eu desconhecia a gravidade da situação.
o dia em que recordo o sorriso dele antes de eu sair do quarto onde ele estava e a abrir o postal que lhe tinha comprado e que tinha escrito no WC do hospital. Ele até antes tinha dito: "não te preocupes, eu depois leio quando voltar para casa".

mas hoje desejo um feliz dia do pai, para quem ainda tem um.

2 de fevereiro de 2011

Desabafo dos grandes

Que vontade louca de atirar "tudo" para o ar.. Sem remorços, sem culpa, sem condenação.
Voltamos à síndrome do "seria tão fixe que isto acontecesse... mas sei que nunca vai acontecer.. Ou vai?.. Será? Quais os riscos? Vou a tempo? Já não vou? Too late? Gone to soon? Mas é mesmo isso que quero? Estarei mesmo disposta a mudar a minha vida a 180 graus?"...

Espero daqui a um ano olhar para este post com um sorriso e pensar que tomei a decisão certa...

A única coisa que sei é que se continuar assim como estou vou começar a roçar a loucura, falando de um modo light.


1 de fevereiro de 2011

são 3h da manhã..

e já estamos em fevereiro...

25 de janeiro de 2011

[nunca pensei]

que um gabinete sem janelas ou sem a presença da luz do dia fosse fazer tanta diferença no meu trabalho...

que chegasse a uma altura em que não iria querer lembrar-me em pormenor, ver fotos ou vídeos do meu pai só para não ter que sofrer...

que pudesse suportar determinadas situações e continuar impávida e serena como se nada fosse comigo (e na realidade não é, se for a pensar bem)...

19 de janeiro de 2011

ok.
conhecem aquela sensação do: "seria tão fixe que isto acontecesse.. tenho tudo pronto para isto acontecer... mas nunca vai acontecer..." ?
É nesse "pé" em que me encontro.
Eu sei que nós é que fazemos os nossos caminhos.
Eu sei que se algo não mudou, foi porque EU assim o decidi (independentemente dos "conselhos", das "coações psicológicas" e das "influências").

ok.
conhecem aquela sensação do: "fiz a minha decisão... mas não era bem isto que eu queria... mas fiz na mesma... or what'ever... merda, o que é que eu faço agora? será que se tivesse ido pelo outro caminho, estava com esta mesma sensação?..."
É nesse pé em que me encontro.
Eu sei que nós é que fazemos os nossos caminhos.
Eu sei que tomei esta decisão e agora não há nada a fazer.
Mas também sei que se por ventura tiver que ser, será.
Até porque acima de tudo, o meu Patrão tem tudo controlado e não me vai deixar ficar mal.

ok.
conhecem aquela sensação do: "porque carga de água estou a repetir tantas vezes as mesmas frases?... serei algum poeta trovador? merda... cala-te mas é e põe-te a andar."
é nesse pé em que me encontro.

30 de dezembro de 2010

Resoluções para 2011

A saber:
- escrever um livro (não importa o tamanho nem o conteúdo. Tenho q escrever);
- ... (eu cá sei.. Não posso ainda revelar);
- continuar a minha caminhada de cabeça erguida. sempre.
- fazer algo que honre a memória do meu pai;
- tentar tirar a banha da barriga antes do verão (uma resolução profunda, esta);
- ver/estar com a minha família mais vezes;

As restantes lembrar-me-ei ao longo do ano e hopefully as cumprirei (não é esse o objectivo das resoluções?!)

Final de 2011 cá estarei para fazer o balanço final.
Bom ano.

9 de dezembro de 2010

a vantagem de ter um blog

Estamos na iminência de entrar em 2011 e em Fevereiro farão 7 anos que mantenho este blog activo (apesar de não ter havido muita actividade nos últimos tempos).
No entanto, após os facebooks e as 1000 formas que agora existem para dizer ao mundo e aos "amigos" que vamos dormir e o que é que vamos jantar, chego à conclusão de que este blog é o meu trullyme. Nasceu, cresceu e estagnou comigo. Por isso não o vou abandonar (apesar de parecer que sim desde agosto...).
E agrada-me só ter 2 ou 3 pessoas a ler o trullyours. Eram 4 mas o meu pai já cá não está para ler.
Por isso agradeço às 3 pessoas que me lêem "assiduamente". Eu sei quem vocês são!

Posto isto, acho que sim, que vou voltar ao trully.
Mais que não seja para voltar a dizer disparates e coisas que parecem interessantes, porque essa vontade desapareceu à muito.

8 de agosto de 2010

pequeno desabafo

Já tinha escrito isto? Ainda não?
Então escrevo agora.
O cancro é a doença mais filha da $#*% que existe.
Revolta-me pensar no número de pessoas que já foram ceifadas.
E no que toca a mim, não eram apenas pessoas. Eram pedaços de mim mesma; ícones; role models; seres humanos exemplares.

Este fim-de-semana foi-se mais uma. Não era muito chegada a ele, mas bolas... Tinha 17 anos e era um amor de pessoa.
Mas tirando as palavras de alguém, a esta hora está ele a rir-se da dor que sentia e que agora lhe passa completamente ao lado.
E tudo isto me fez reviver o momento em que perdi o meu pai.
Eu sei que isto já parece trully depressed mas não quero saber. Tenho que o dizer:
Queria o meu pai de volta. Mas a realidade é que ele não vai voltar. A realidade é que ele se foi. E tenho que dizer isto a mim própria todos os dias. Ainda hoje...

[brevemente acabarei com este blog trullydepressed e voltarei ao trullyours.. até já ]

28 de julho de 2010

o prazo de validade

Há uns anos atrás, acompanhei os meus avós a uma consulta e nunca mais me esqueci do que o médico disse ao meu avô: "Todos nós temos um prazo de validade, não é verdade, Senhor Honório?"

É verdade. Custa-me admitir que sim, que é verdade que os velhos deixam de ser novos e acabam por sucumbir devido ao prazo de validade colocado cruamente no recipiente da sua vida.
O prazo da minha avó terminou ontem.
Frágil e pequena, não resistiu aos abanões físicos que a vida lhe pregou. E assim se foi, sem a minha despedida.
Hoje paro para pensar em tudo, em tudo o que vivi com ela e em tudo que agora se tornaram memórias.
...

Adeus *

20 de julho de 2010

Pós-parto

Será uma memória a reter até ao resto da minha vida:
as dores, a calma, a respiração, o apoio do mimo, a [minha] boa disposição e acima de tudo a vontade de ver a minha filha.
Muitos me perguntam como me aguentei sem epidural porque segundo muitas mulheres, as dores são insuportáveis e muito fortes. Encontrei a resposta uns dias depois do parto [11julho2010].
Durante esta gravidez, nada suplantou a dor que eu senti [e sinto] quando perdi o meu pai. Por essa razão, as dores de parto não me incomodaram. Tive que encontrar uma força interior que me permitisse ultrapassar o momento de forma calma e altruísta. E essa força deu-ma o meu pai, o avô da minha filha.