o dia em que falei com o meu pai pela última vez, estando ele lúcido e consciente.
o dia em que lhe disse que o amava e que ele sempre foi e iria continuar a ser o meu modelo, exemplo, role model, o que lhe queiram chamar.
o dia em que o meu pai se chateou comigo porque eu estava grávida e me disse: "o que é que estás aqui a fazer? não devias estar aqui... isto é não é um ambiente saudável para ti...", ao que eu respondi: "não te preocupes que ninguém tossiu para cima de mim!"
o dia em que chorei porque estava confusa e não compreendia porque é que estavam todos a ser pessimistas, quando na realidade eu desconhecia a gravidade da situação.
o dia em que recordo o sorriso dele antes de eu sair do quarto onde ele estava e a abrir o postal que lhe tinha comprado e que tinha escrito no WC do hospital. Ele até antes tinha dito: "não te preocupes, eu depois leio quando voltar para casa".
mas hoje desejo um feliz dia do pai, para quem ainda tem um.
Às vezes penso que tal como as estrelas me enviam luz de há milhares de anos atrás, assim também eu escrevo este post que hoje estou a publicar de novo.
19 de março de 2011
2 de fevereiro de 2011
Desabafo dos grandes
Que vontade louca de atirar "tudo" para o ar.. Sem remorços, sem culpa, sem condenação.
Voltamos à síndrome do "seria tão fixe que isto acontecesse... mas sei que nunca vai acontecer.. Ou vai?.. Será? Quais os riscos? Vou a tempo? Já não vou? Too late? Gone to soon? Mas é mesmo isso que quero? Estarei mesmo disposta a mudar a minha vida a 180 graus?"...
Espero daqui a um ano olhar para este post com um sorriso e pensar que tomei a decisão certa...
A única coisa que sei é que se continuar assim como estou vou começar a roçar a loucura, falando de um modo light.
Voltamos à síndrome do "seria tão fixe que isto acontecesse... mas sei que nunca vai acontecer.. Ou vai?.. Será? Quais os riscos? Vou a tempo? Já não vou? Too late? Gone to soon? Mas é mesmo isso que quero? Estarei mesmo disposta a mudar a minha vida a 180 graus?"...
Espero daqui a um ano olhar para este post com um sorriso e pensar que tomei a decisão certa...
A única coisa que sei é que se continuar assim como estou vou começar a roçar a loucura, falando de um modo light.
1 de fevereiro de 2011
25 de janeiro de 2011
[nunca pensei]
que um gabinete sem janelas ou sem a presença da luz do dia fosse fazer tanta diferença no meu trabalho...
que chegasse a uma altura em que não iria querer lembrar-me em pormenor, ver fotos ou vídeos do meu pai só para não ter que sofrer...
que pudesse suportar determinadas situações e continuar impávida e serena como se nada fosse comigo (e na realidade não é, se for a pensar bem)...
que chegasse a uma altura em que não iria querer lembrar-me em pormenor, ver fotos ou vídeos do meu pai só para não ter que sofrer...
que pudesse suportar determinadas situações e continuar impávida e serena como se nada fosse comigo (e na realidade não é, se for a pensar bem)...
19 de janeiro de 2011
ok.
conhecem aquela sensação do: "seria tão fixe que isto acontecesse.. tenho tudo pronto para isto acontecer... mas nunca vai acontecer..." ?
É nesse "pé" em que me encontro.
Eu sei que nós é que fazemos os nossos caminhos.
Eu sei que se algo não mudou, foi porque EU assim o decidi (independentemente dos "conselhos", das "coações psicológicas" e das "influências").
ok.
conhecem aquela sensação do: "fiz a minha decisão... mas não era bem isto que eu queria... mas fiz na mesma... or what'ever... merda, o que é que eu faço agora? será que se tivesse ido pelo outro caminho, estava com esta mesma sensação?..."
É nesse pé em que me encontro.
Eu sei que nós é que fazemos os nossos caminhos.
Eu sei que tomei esta decisão e agora não há nada a fazer.
Mas também sei que se por ventura tiver que ser, será.
Até porque acima de tudo, o meu Patrão tem tudo controlado e não me vai deixar ficar mal.
ok.
conhecem aquela sensação do: "porque carga de água estou a repetir tantas vezes as mesmas frases?... serei algum poeta trovador? merda... cala-te mas é e põe-te a andar."
é nesse pé em que me encontro.
conhecem aquela sensação do: "seria tão fixe que isto acontecesse.. tenho tudo pronto para isto acontecer... mas nunca vai acontecer..." ?
É nesse "pé" em que me encontro.
Eu sei que nós é que fazemos os nossos caminhos.
Eu sei que se algo não mudou, foi porque EU assim o decidi (independentemente dos "conselhos", das "coações psicológicas" e das "influências").
ok.
conhecem aquela sensação do: "fiz a minha decisão... mas não era bem isto que eu queria... mas fiz na mesma... or what'ever... merda, o que é que eu faço agora? será que se tivesse ido pelo outro caminho, estava com esta mesma sensação?..."
É nesse pé em que me encontro.
Eu sei que nós é que fazemos os nossos caminhos.
Eu sei que tomei esta decisão e agora não há nada a fazer.
Mas também sei que se por ventura tiver que ser, será.
Até porque acima de tudo, o meu Patrão tem tudo controlado e não me vai deixar ficar mal.
ok.
conhecem aquela sensação do: "porque carga de água estou a repetir tantas vezes as mesmas frases?... serei algum poeta trovador? merda... cala-te mas é e põe-te a andar."
é nesse pé em que me encontro.
30 de dezembro de 2010
Resoluções para 2011
A saber:
- escrever um livro (não importa o tamanho nem o conteúdo. Tenho q escrever);
- ... (eu cá sei.. Não posso ainda revelar);
- continuar a minha caminhada de cabeça erguida. sempre.
- fazer algo que honre a memória do meu pai;
- tentar tirar a banha da barriga antes do verão (uma resolução profunda, esta);
- ver/estar com a minha família mais vezes;
As restantes lembrar-me-ei ao longo do ano e hopefully as cumprirei (não é esse o objectivo das resoluções?!)
Final de 2011 cá estarei para fazer o balanço final.
Bom ano.
- escrever um livro (não importa o tamanho nem o conteúdo. Tenho q escrever);
- ... (eu cá sei.. Não posso ainda revelar);
- continuar a minha caminhada de cabeça erguida. sempre.
- fazer algo que honre a memória do meu pai;
- tentar tirar a banha da barriga antes do verão (uma resolução profunda, esta);
- ver/estar com a minha família mais vezes;
As restantes lembrar-me-ei ao longo do ano e hopefully as cumprirei (não é esse o objectivo das resoluções?!)
Final de 2011 cá estarei para fazer o balanço final.
Bom ano.
9 de dezembro de 2010
a vantagem de ter um blog
Estamos na iminência de entrar em 2011 e em Fevereiro farão 7 anos que mantenho este blog activo (apesar de não ter havido muita actividade nos últimos tempos).
No entanto, após os facebooks e as 1000 formas que agora existem para dizer ao mundo e aos "amigos" que vamos dormir e o que é que vamos jantar, chego à conclusão de que este blog é o meu trullyme. Nasceu, cresceu e estagnou comigo. Por isso não o vou abandonar (apesar de parecer que sim desde agosto...).
E agrada-me só ter 2 ou 3 pessoas a ler o trullyours. Eram 4 mas o meu pai já cá não está para ler.
Por isso agradeço às 3 pessoas que me lêem "assiduamente". Eu sei quem vocês são!
Posto isto, acho que sim, que vou voltar ao trully.
Mais que não seja para voltar a dizer disparates e coisas que parecem interessantes, porque essa vontade desapareceu à muito.
No entanto, após os facebooks e as 1000 formas que agora existem para dizer ao mundo e aos "amigos" que vamos dormir e o que é que vamos jantar, chego à conclusão de que este blog é o meu trullyme. Nasceu, cresceu e estagnou comigo. Por isso não o vou abandonar (apesar de parecer que sim desde agosto...).
E agrada-me só ter 2 ou 3 pessoas a ler o trullyours. Eram 4 mas o meu pai já cá não está para ler.
Por isso agradeço às 3 pessoas que me lêem "assiduamente". Eu sei quem vocês são!
Posto isto, acho que sim, que vou voltar ao trully.
Mais que não seja para voltar a dizer disparates e coisas que parecem interessantes, porque essa vontade desapareceu à muito.
8 de agosto de 2010
pequeno desabafo
Já tinha escrito isto? Ainda não?
Então escrevo agora.
O cancro é a doença mais filha da $#*% que existe.
Revolta-me pensar no número de pessoas que já foram ceifadas.
E no que toca a mim, não eram apenas pessoas. Eram pedaços de mim mesma; ícones; role models; seres humanos exemplares.
Este fim-de-semana foi-se mais uma. Não era muito chegada a ele, mas bolas... Tinha 17 anos e era um amor de pessoa.
Mas tirando as palavras de alguém, a esta hora está ele a rir-se da dor que sentia e que agora lhe passa completamente ao lado.
E tudo isto me fez reviver o momento em que perdi o meu pai.
Eu sei que isto já parece trully depressed mas não quero saber. Tenho que o dizer:
Queria o meu pai de volta. Mas a realidade é que ele não vai voltar. A realidade é que ele se foi. E tenho que dizer isto a mim própria todos os dias. Ainda hoje...
[brevemente acabarei com este blog trullydepressed e voltarei ao trullyours.. até já ]
Então escrevo agora.
O cancro é a doença mais filha da $#*% que existe.
Revolta-me pensar no número de pessoas que já foram ceifadas.
E no que toca a mim, não eram apenas pessoas. Eram pedaços de mim mesma; ícones; role models; seres humanos exemplares.
Este fim-de-semana foi-se mais uma. Não era muito chegada a ele, mas bolas... Tinha 17 anos e era um amor de pessoa.
Mas tirando as palavras de alguém, a esta hora está ele a rir-se da dor que sentia e que agora lhe passa completamente ao lado.
E tudo isto me fez reviver o momento em que perdi o meu pai.
Eu sei que isto já parece trully depressed mas não quero saber. Tenho que o dizer:
Queria o meu pai de volta. Mas a realidade é que ele não vai voltar. A realidade é que ele se foi. E tenho que dizer isto a mim própria todos os dias. Ainda hoje...
[brevemente acabarei com este blog trullydepressed e voltarei ao trullyours.. até já ]
28 de julho de 2010
o prazo de validade
Há uns anos atrás, acompanhei os meus avós a uma consulta e nunca mais me esqueci do que o médico disse ao meu avô: "Todos nós temos um prazo de validade, não é verdade, Senhor Honório?"
É verdade. Custa-me admitir que sim, que é verdade que os velhos deixam de ser novos e acabam por sucumbir devido ao prazo de validade colocado cruamente no recipiente da sua vida.
O prazo da minha avó terminou ontem.
Frágil e pequena, não resistiu aos abanões físicos que a vida lhe pregou. E assim se foi, sem a minha despedida.
Hoje paro para pensar em tudo, em tudo o que vivi com ela e em tudo que agora se tornaram memórias.
...
Adeus *
É verdade. Custa-me admitir que sim, que é verdade que os velhos deixam de ser novos e acabam por sucumbir devido ao prazo de validade colocado cruamente no recipiente da sua vida.
O prazo da minha avó terminou ontem.
Frágil e pequena, não resistiu aos abanões físicos que a vida lhe pregou. E assim se foi, sem a minha despedida.
Hoje paro para pensar em tudo, em tudo o que vivi com ela e em tudo que agora se tornaram memórias.
...
Adeus *
20 de julho de 2010
Pós-parto
Será uma memória a reter até ao resto da minha vida:
as dores, a calma, a respiração, o apoio do mimo, a [minha] boa disposição e acima de tudo a vontade de ver a minha filha.
Muitos me perguntam como me aguentei sem epidural porque segundo muitas mulheres, as dores são insuportáveis e muito fortes. Encontrei a resposta uns dias depois do parto [11julho2010].
Durante esta gravidez, nada suplantou a dor que eu senti [e sinto] quando perdi o meu pai. Por essa razão, as dores de parto não me incomodaram. Tive que encontrar uma força interior que me permitisse ultrapassar o momento de forma calma e altruísta. E essa força deu-ma o meu pai, o avô da minha filha.
as dores, a calma, a respiração, o apoio do mimo, a [minha] boa disposição e acima de tudo a vontade de ver a minha filha.
Muitos me perguntam como me aguentei sem epidural porque segundo muitas mulheres, as dores são insuportáveis e muito fortes. Encontrei a resposta uns dias depois do parto [11julho2010].
Durante esta gravidez, nada suplantou a dor que eu senti [e sinto] quando perdi o meu pai. Por essa razão, as dores de parto não me incomodaram. Tive que encontrar uma força interior que me permitisse ultrapassar o momento de forma calma e altruísta. E essa força deu-ma o meu pai, o avô da minha filha.
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